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Não é Crítica: “Homens Imprudentemente Poéticos”, de Valter Hugo Mãe

Estou arrebatado pelo último livro de Valter Hugo Mãe: “Homens Imprudentemente Poéticos”. É como se, de repente, Kawabata, o primeiro autor japonês a receber o Nobel, pudesse escrever em português!

 

Some-se a isso a inventividade do idioma, herdada de Saramago, incluindo-se o não uso de pontuação para além do ponto final e da vírgula. E se o escritor veterano, um dia, vislumbrou a Península Ibérica despregando-se da Europa, em “A Jangada de Pedra”, agora, Hugo Mãe quase parece ter visto algo inesperado nesta imagem: lusos e espanhóis poderiam não apenas estar se divorciando da Europa, mas também buscando esta diminuta ilha no oceano: o Japão! O espírito luso, de repente, tão nipônico! É como uma saudade do que nunca fomos…

 

E, numa obra tão precisamente localizada no Globo terrestre, sobra espanto: somos todos, como a ilha nipônica no Pacífico, um pequeno ajuntado de solidão e mistério. Com sonhos de grandeza, porém!

Não é crítica: “Cabras – cabeças que rolam, cabeças que voam”

 

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A Cia Teatro Balagan visitou a minha cidade, Campinas. “Cabras – cabeças que rolam, cabeças que voam” é um espetáculo que muitos viram e que dispensa elogios ao texto, ao cenário, ao figurino, à música, à encenação. Porém, ontem, algo chamou minha atenção especialmente: o trabalho dos atores.

 

Sou suspeito para falar porque sou irmanado nas dificuldades e aprendizados deste projeto artístico com esta diretora, a Maria Thais. De qualquer modo, fiquei comovido. Porque, em “Cabras…”, os atores partem de uma certa recusa em narrar a si mesmos, narrando humanidades muitas – inclusive humanidades “não humanas” (uma bala de revolver, uma cabra, um cachorro…). Espantosamente, porém, ao se colocarem neste jogo de alteridade (“eu”, como ponta de uma lança, em busca de um “outro”; “eu” em tensão com um “outro”) deixam escapar, quase que sem perceber, algo de si. É ou não uma alegria que o teatro nos liberte de nós mesmos para, enfim, nos revelar?

 

Não me refiro à revelação das intimidades de quem atua, a sua biografia, os seus segredos. Falo de outra coisa. O que se revela é um ponto de vista – ou uma perspectiva, como provavelmente a Maria Thais gostaria de dizer. Se “teatro” é “o lugar de onde se vê”, os atores da Balagan lembram que não apenas fazem ver, mas eles mesmo olham: a coisa narrada e (um espanto!) os próprios espectadores. Uma inversão e embaralhamento de perspectivas que, “caleidoscopicamente”, não encerra significados, multiplica sentidos e comemora encontros.

 

Sempre que assisto a atores assim, em festa, volto para casa orgulhoso do ofício que escolhi e para o qual espero que eu seja vocacionado. A Cia Balagan visitou a minha cidade. Viva!

 

Tradição e inovação

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O poeta e ensaista Octavio Paz desenvolveu uma interessante tese acerca da modernidade euro-ocidental. Fundado num certo elogio à transformação, este moderno recusou tudo o que lhe parecia estagnado, como  os conceitos de tradição, repetição etc. Ao criar linhas continuas de rompimento com concepções arcaicas, porém, a modernidade gerou, paradoxalmente, uma nova tradição: a tradição da ruptura.

 

O teatro, não raro, valeu-se desta espécie de recusa dos seus antecedentes como um mote para a construção de inovações da linguagem. Esta, no entanto, não é a única estratégia possível. Artistas russos do início do século XX, por exemplo, procuraram a renovação do teatro justamente no tensionamento com tradições outras, como as asiáticas.

 

Seguindo esta trilha, vemos contemporaneamente  um renovado interesse por tradições não euro-ocidentais – indígenas, africanas, asiáticas etc. E este contato com outras formas de expressar o humano empurram o teatro para a busca de outras formas para a linguagem cênica.

 

Há, assim, um jogo entre tradição e ruptura. Por um lado, a palavra tradição não é apenas um amontoado de saberes parados num passado longínquo. Por outro, a pesquisa do novo é impulsionada por relações de alteridade – não só descontinuidades, mas também abertura à continuidades diversas. Desta maneira, podemos ver um novo tensionamento entre tradição e ruptura no lugar da tradição da ruptura.

 

Shakespeare escreveu que “o mundo todo é um palco”. E, hoje, diga-se, este mundo é vasto e diverso como nunca. A tentativa de encená-lo poderá empurrar o teatro para as suas bordas.

Pedagogia continuada

 

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Foto: Luciana Orvat

O trabalho cotidiano do ator está muito além da cena. Isto é, para além dos resultados revelados no espetáculo teatral, há a permanente investigação das potências de seu corpo, voz, imaginação etc.

 

Algumas pessoas nomeiam este espaço do trabalho sobre si como “treinamento de ator”. O uso desta palavra, treinamento, desperta debates diversos: afinal, é possível treinar habilidades que tornem o ator apto à cena? Mais: sendo o teatro invenção, como é possível treinar habilidades para linguagens ainda não conhecidas? O treino, então, só nos tornaria aptos à realização do que já conhecemos?

 

Lembremos que, na segunda metade do século XX, o diretor polonês Jerzy Grotowski renovou o uso desta palavra. Para ele, o treino é o espaço em que o ator se vê com o a realidade do ofício que escolheu. Depois de apropriações muitas, porém, a palavra desgastou-se e, não raro, é tomada como manual que torna um ator um “ator melhor” – sendo isso pressionado por muitas concepções técnicas, poéticas, filosóficas, espirituais.

 

Aprendi com a diretora e professora Maria Thais uma outra prática: pedagogia. A diretora lembra que no teatro russo são tênues os limites entre criação e aprendizado. Ora, enquanto criamos a cena criamos igualmente os procedimentos técnicos necessários a ela. Neste sentido, o espaço pedagógico não estaria limitado ao espaço formal da escola de teatro. Ao contrário, a pedagogia confunde-se com um estado permanente em que o artista se abre às experiências que o atravessam, aprendendo com elas.

 

Neste limite entre criação, pedagogia e pesquisa, tudo ensina. Daí a profunda necessidade do artista da cena manter espaços de investigação e estudo. Como, enfim, viabilizar em si o aprendizado proporcionado pelo exercício cotidiano do teatro? Estar pronto, lembro de Shakespeare, não é se considerar apto, acabado, mas em prontidão.

 

Fantasia é política

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Na última sexta feira, dois de setembro, o filósofo Vladimir Safatle escreveu artigo em que dizia: “Nunca na história brasileira foi tão importante o exercício da imaginação, da autoanálise, da insubmissão e do destemor”. Como ator – alguém que toma a imaginação como ofício, portanto – tomei a fala como um chamado.

 

É verdade que muitos já relacionaram construção simbólica, pensar e agir.  Para Gaston Bachelard, “é preciso que a imaginação seja demasiada para que o pensamento tenha o bastante”. O filósofo francês, inclusive, toma a imaginação como a “própria existência humana”.

 

O texto de Safatle, porém, atualiza esta percepção: o contexto político faz urgir o reconhecimento do potencial transformador e subversivo de nossa capacidade imaginativa. Afinal, construir o mundo é, antes, imaginá-lo de maneira diversa. A fantasia, que não é alienação ou escapismo, será a única saída para a construção de uma nova realidade.

 

Para os artistas, assim, o “agora” provoca e impulsiona: como lapidar instrumentos técnicos (o que se confunde como a melhora de si, reparemos bem) para revelar um mundo que não está pronto? Como ajudar a parir um mundo que ainda não mostrou a sua imagem? Daí a profícua aproximação, feita por Safatle, entre imaginação, autoanálise e destemor. Nos limites deste rigor, os profissionais da imaginação hão de reconhecer a sua vocação. O chamado é urgente. E ninguém poderá ficar de fora.

 

Não é crítica: “Nós”, do Galpão

Quero dizer, com espanto, que um grupo de teatro existe há quase 34 anos, no Brasi! O Galpão é um rasgo de “possível” num mundo de inviáveis. Goste-se ou não de um trabalho, há alento em saber que houve outros antes e que, oxalá, haverá outros depois. Existir, neste contexto, já não é um feito notável?

 

Quero dizer, com festa, que um povo que tem Teuda Bara deveria ser feliz sempre. Mas, no fundo, aquela liberdade toda não busca felicidade apenas, mas a intensidade inteira da vida – e nisso, sabemos, há perigos, desvios muitos.

 

Quero dizer, como quem ora, que a beleza desta mulher é admirável, assustadora, quase insuportável. Só algo do tamanho do teatro poderia acolhe-la.

 

Quero dizer, como quem medita, que não se trata de gostar ou não do novo espetáculo do Galpão – nem sei se é possível gostar sempre e inteiramente de uma obra. Não se trata de gostar ou não do teatro. Trata- se de gostar da vida. E a celebrarmos na vida desta mulher.

Polícia Mata Menino de Dez anos e Morremos Todos!

Há alguns meses, gerou comoção a imagem de um menino refugiado, Aylan Kurdi, morto quando sua família se arriscava para chegar à Europa pelo mar. Hoje, porém, a morte do menino de 10 anos, assassinado pela PM paulista passa quase despercebida. Fico espantado com o pouco espanto: a imagem do menino brasileiro parece-me igualmente icônica.

No Brasil, crianças em situação de risco social – e, no caso, pode-se dizer em situação de rua – tendem a uma certa invisibilidade. Estão fora dos limites do território daqueles que “valem a pena”. Assim, não se poderia esperar outra coisa senão a negação desta morte como acontecimento revelador de nossa conduta como sociedade.

É verdade houve manifestações contrárias à PM, como se fosse ela, e somente ela, a responsável pela barbárie. Faço coro no manifesto contra a truculência da PM de São Paulo que, capitaneada pelo governador Geraldo Alckmin, dá espetáculos de horror: criminalizando movimentos sociais e estudantis, matando gente pobre na periferia, apresentando-se como o braço armado do Estado que garante esta linha divisória entre os que “valem” e o que “não valem a pena”.

No entanto, no caso de crianças e adolescentes em situação de rua, pode-se dizer que isso não é tudo. A polícia, aceita a tarefa social de apertar o gatilho, mas é preciso reconhecer que há uma sociedade conivente e que de certa maneira pressiona aquele que dispara o tiro. Não há política pública para lidar com esses meninos e meninas. No contato com eles, vamos nos revelando como nação: o país do futuro nega aqueles que são justamente o futuro. A única política pública, aqui, é a polícia. Assim, o Brasil vai construindo a sua própria Faixa de Gaza, onde a solução possível parece ser a bala ou a bomba.

Não reconhecer a nossa parte neste quinhão de violência, atribuindo toda a responsabilidade à decisão do policial que dispara o tiro, é o mesmo que tentar salvar o menino refugiado depois que o barco já virou. Seria imensamente mais fácil e efetivo conhecê-lo antes de sua família decidir pela travessia arriscada do mar.

Se o país se levasse a sério, todos estaríamos parados, hoje. Assim, veríamos a nós mesmos refletidos neste espelho que é a imagem de um menino de dez anos morto num automóvel. Se desejamos algum futuro, nada é mais urgente que garantir o direito à infância. Nada.

Saudades

Terminamos, hoje, em Pereira Barreto, um roteiro de apresentações do espetáculo “OE” por cidades com grande influência de comunidade nipo-brasileiras: Marília, São Paulo, Mirandópolis, Registro, Araçatuba, Campinas, Pereira Barreto. A circulação foi viável graças ao financiamento do Proac – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e a parcerias diversas (secretarias municipais de cultura, grupos de teatro, comunidades, SESC Campinas etc).

 

Em cada cidade, senti que apresentava para amigos do meu avô. Sensação análoga àquela que vivi no Japão: temos raízes que nos empurram para futuros.

 

Nunca me reconheci como japonês: não falo o idioma, não tenho hábitos, não convivo com a cultura. No Japão, porém, ao pisar no Aeroporto de Narita, chorei copiosamente. “Que saudades eu sentia de um lugar que eu não conhecia”, pensava. E concluí: “o Japão é do outro lado do mundo. O Japão é dentro da gente.”

 

Nesta circulação, realizei o tamanho da importância da cultura nipônica para a cultura brasileira e para a cultura paulista, em especial. Assim, entendi: o Japão também está sempre do lado da gente!

A Volta para Casa

Hoje, apresentamos “OE” em Campinas, cidade onde resido. A peça de Cássio Pires é dirigida por Marcio Aurelio e é inspirada na obra de Kenzaburo Oe. A apresentação, hoje, tem gosto de aconchego: o retorno ao lar.

 

Espantosamente, durante o processo de criação do espetáculo, experimentei algo semelhante, durante o estágio que realizei no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão. Nunca antes eu havia me reconhecido como japonês. Ao contrário dos nipônicos, ansioso, sempre acreditei que precisava meditar muito para que meu espírito assentasse no corpo. Do outro lado do mundo, senti uma calma inesperada e vi as coisas do avesso: o corpo alcançava um espírito que habitava terras distantes.

 

Estamos voltando para casa. E, como diz a letra da música pop japonesa, a casa está sempre chamando.

Silêncio

Não escrevo neste blog há muitos meses. Ocupava-me das criações: do teatro e da vida.

 

Neste tempo, estreamos e apresentamos em oportunidades muitas “OE”, peça de Cássio Pires, com direção de Marcio Aurelio. O espetáculo foi criado a partir da obra de Kenzaburo Oe: o escritor japonês que, em diversos momentos da sua obra, trata da sua relação com um filho nascido com deficiência intelectual.

 

Neste tempo, estive no Kazuo Ohno Dance Studio, em Yokohama, no Japão, para aprender com Yoshito Ohno de que maneira seu pai, Kazuo Ohno, um dos criadores da dança butô, continua vivo.

 

Neste tempo, eu mesmo tornei-me pai.

 

Tempos intensos, tempos felizes. Ali, onde as palavras faltaram e sobraram experiências. Silêncio: a vida está nos fazendo.

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Butô é a vida!

 

Eu sempre pensei que Butô fosse uma forma japonesa de dança. Hoje, porém, no Kazuo Ohno Dance Studio, entendi: Butô é a vida. E como dança bonito a vida! 

“OE”: a viagem de fundação de um espetáculo

 

“OE” é um processo de estudo que, em breve, deverá levar à criação de um novo espetáculo com minha atuação, direção de Márcio Aurélio, dramaturgia de Cássio Pires, orientação corporal de Ciça Ohno e Toshi Tanaka, produção de Daniele Sampaio e apoio teórico de Suzi Frankl Sperber.  

 

 

O trabalho é inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe – laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1994 -, especialmente nas interações entre o autor e seu filho mais velho, nascido com hérnia cerebral, Hikari Oe. 

 

“OE” é também um estudo empreendido por mim acerca das relações entre trocas culturais e a criação cênica. Em alguns de meus trabalhos, toma-se um mergulho na mestiça cultura brasileira (“intraculturalidade”) como um equivalente, ainda que diverso em princípios, de abordagens norte-européias da “interculturalidade” no teatro. Se os artistas do chamado Mundo do Norte com frequência procuram, na aproximação de culturas diversas, elementos comuns, nas criações em que participei vê-se o inverso: a revelação da pluralidade que há na aparente unidade identitária de um povo.

 

“OE” provoca-me num novo mergulho, ao mesmo tempo intracultural e intercultural: como neto de japoneses converso com a minha própria história; como brasileiro, viajo para o Oeste do Globo terrestre, no Japão. Embarco para uma primeira prospecção de pesquisa em terras nipônicas, lá permanecendo de 08 a 23 de fevereiro de 2014. Ali, entre muitas atividades de estudo e intercâmbio, participo de sessões de trabalho com Yoshito Ohno, no Kazuo Ohno Dance Studio.  

 

O Japão é do outro lado do mundo. Porém, como o sertão roseano, “é dentro da gente”.  

 

Contra o crack é preciso mais que balas

Ontem, a mais nova ação da polícia de Alckmin, na Cracolândia paulistana, quase põe a perder a única política pública decente dos últimos anos na região – a Operação de Braços Abertos, da Prefeitura de São Paulo.

 

O que dirá o governador sobre a sua desastrosa polícia? Caso afirme que a ordem para a atuação da Polícia Civil partiu de seu gabinete, entenderemos de uma vez por todas que a sua política social se faz na base da bala – e só! Caso a polícia tenha atuado sem o seu conhecimento, entenderemos, enfim, que o governador não tem controle algum dos homens armados que comanda – o que é igualmente assustador. Em ambos os casos, o governo Alckmin, que no ano passado capitaneou uma ineficaz e violenta ação na Cracolândia, deixa bem claro que a mão armada tem amplos poderes na sua gestão. Jamais nos esqueçamos disso. A minha avó, se estivesse viva, sabiamente diria: “Ajuda muito quem não atrapalha!”

 

Para ver a matéria sobre a ação da P´licia na Cracolândia, veja o link: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1402155-confronto-na-regiao-da-cracolandia-deixa-usuarios-de-drogas-feridos.shtml

Pelo Amor de Deus!

 

Amigos evangélicos (e eu tenho muitos e queridos), por amor a Deus, expressem o mais veemente repúdio a atuação do deputado Marcos Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Gritem o tamanho da vergonha que é (ou que, no mínimo, deveria ser) para os evangélicos este projeto de lei da “cura gay”.

 

Este importante momento para o país é oportunidade para que os evangélicos façam também história, concretizando em ação a palavra do Cristo. O Verbo encarnado. Afinal, “amar o próximo como a si mesmo” não significa amá-lo porque (e somente porque) o outro é um igual a mim. Significa que ambos são iguais diante de Deus, Sua imagem e semelhança. Digo, a dignidade humana, orientada pelas mais diversas opções de vida, atrás de si tem respaldo da Dignidade Divina. Ver Deus na diferença, onde menos se espera encontrá-Lo, é prova inconteste da fé no Seu amor (onipresente, onipotente). Respeitar escolhas é aposta absoluta na fundamental faculdade conferida por Ele ao homem: o livre arbítrio.

 

Não aceitar o absurdo desta lei, que torna doença o exercício das opções de cada homem (insisto: potência conferida por Deus), é ser mais cristão que nunca. Não esperemos que sejam necessárias leis de cura evangélica, budista, católica, islâmica, judia para que, enfim, não se projetem sobre um Estado Laico os fundamentalismos de pequenos grupos que não representam os ensinamentos dos grandes líderes espirituais da humanidade.

 

E, sendo budista, digo: não terá os meus voto e apoio alguém que por ventura pretenda criar leis constitucionais baseadas nos ensinamentos do Buda. Porque, enquanto que as primeiras servem para o convívio dos homens e as suas diferenças, sendo, portanto, históricas e mutáveis, as palavras que aprendo do Buda são eternas (porque simplesmente falam de um respeito ao humano, como nos ensinos de Cristo, que não se questiona jamais!). Converter uma coisa na outra não é só perigoso do ponto de vista político. É também reduzir a fé e, portanto, traição.

Lei de Fomento às Artes da Cena de Campinas

Um respiro no dia em que a PM foi mais PM do que nunca, em São Paulo: na cidade de Campinas, a noite de 13 de junho de 2013 foi histórica! Oposição e situação, poderes executivo e legislativo, poder público e sociedade civil debateram a necessidade da criação de uma Lei de Fomento às Artes da Cena, na cidade. O Plenário da Câmara dos Vereadores esteve cheio! A luta ainda é grande, mas a noite foi de esperança!