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08 Mai 2012

Eduardo Okamoto no programa “Tubo de Ensaio”, da Rede Fora do Eixo

 

Eduardo  Okamoto participa, hoje, a partir das 19h, do programa “Tubo de Ensaio” – projeto que trabalha com a produção e difusão de conteúdo audiovisual através da plataforma online. Os produtores do programa acreditam que a internet é potente veículo de disseminação da informação, constituindo uma ferramenta de horizontalização do debate sobre os mais diversos assuntos. Assim, apostam que a criação de conteúdo audiovisual divulgado online abre espaço para uma renovação estética da linguagem televisiva. 

 

Na estréia do programa, Eduardo Okamoto fala de seu trabalho e de seus estudos sobre a arte de ator e as suas relações com a dramaturgia corporal. A entrevista também pode ser acompanhada ao vivo, de forma presencial, na Casa Fora do Eixo São Paulo (Rua Scuvero, 282, na capital paulista).  Aqueles que optarem por acompanhar pela internet também poderão enviar perguntas. A entrevista é transmitida no endereço: .  

 

“Tubo de Ensaio” é produzido pelo Palco Fora do Eixo, o braço dedicado às Artes Cênicas da Rede Fora do Eixo – rede que, desde 2006, vem constituindo um dos mais profícuos coletivos de produção e divulgação de trabalhos artísticos independentes, sobretudo aqueles que frequentemente, a despeito da elevada qualidade de seu trabalho, passam despercebidos pelo radar da grande mídia (jornais, televisão, revistas etc.). O projeto, assim, é balizado por ações semelhantes da rede Fora do Eixo na transmissão de programas de TV online. Estas ações são agrupadas e nomeadas, na Fora do Eixo, como PosTV.       

 

Em 2011, a PosTv já foi realizada em diversos espaços de São Paulo: na Avenida Paulista, com a transmissão da Marcha da Liberdade; no Auditório Ibirapuera, com a transmissão do Prêmio Transformadores da Revista Trip e do debate “A Fronteira do Futuro – Criatividade, Tecnologia e Políticas Públicas, com a presença de Gilberto Gil e Lawrence Lessing, fundador da Creative Commons; na Rua Augusta, com a transmissão do Programa Supremo Tribunal Liberal, incluindo reportagens especiais na Cracolândia.

 

No Rio de Janeiro, a PosTv transmitiu o Fórum Internacional de Cultura Digital e, em Porto Alegre, durante o Fórum Social Temático, transmitiu o programa #ConversasInfinitas, com a a ex – Ministra do Meio Ambiente Marina Silva,  e o Fórum de Mídia Livre.

 

Depois do papo com Eduardo Okamoto,  ”Tubo de Ensaio” apresenta, nos dias seguintes, programas transmitidos diretamente de Belo Horizonte e Porto Alegre. A programação, segue abaixo:

 

 

 

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02 Out 2011

Espetáculo “Eldorado” no Sesi Campinas

 

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O projeto Arte Local continua apresentando atividades atísticas no SESI Campinas. E, na próxima quinta-feira, dia 06 de outubro, é a vez de Eduardo Okamoto apresentar o espetáculo “Eldorado”. A apresentação acontece às 20h, com entrada gratuita e ingressos distribuídos uma hora de antes.

 

O projeto Arte Local, do SESI, valoriza iniciativas voltadas à criação de plateias e disponibiliza os equipamentos culturais aos artistas regionais, com foco na difusão das artes e da cultura locais e a facilitação do acesso do público aos eventos.

 

Em Campinas, a apresentação de “Eldorado” é motivo de celebração: a inauguração do novo teatro do SESI Campinas, novo e fundamental espaço numa cidade carente de equipamentos culturais; e a volta de “Eldorado” à cidade onde o espetáculo foi concebido. Parece pouco.  Não é.  Não é segredo para nenhum dos cidadãos de Campinas que a cidade notadamente, nos últimos anos, apresenta uma política cultural incipiente. Até mesmo os artistas locais tem dificuldade de apresentar seus trabalhos na cidade (não há, no presente momento, um único teatro público adequadamente equipado, em Campinas). Isso, no limite, tem provocado distorções alarmantes: “Eldorado”, por exemplo, espetáculo de ator residente na cidade, Eduardo Okamoto, realizou menos de 6 apresentações em solo campineiro dentre as mais de 110 sessões do trabalho. Assim, a apresentação do espetáculo no SESI tem motivos de sobra para festejar!

 

 

Serviço:

Dia 06/10/2011. Quinta-feira, às 20h.
Teatro do Sesi Campinas
Avenida das Amoreiras, 450. Parque Itália. Campinas – SP.

Telefone: (19) 3772.4184

Ingressos gratuitos distribuídos a partir das 19h.

 

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui. Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

 

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07 Set 2011

Espetáculo “Eldorado” em S. J. Campos

 

Eduardo Okamoto apresenta o espetáculo “Eldorado”, em São José dos Campos, como parte da programação do Festivale. A apresentação acontece no Teatro do Sesi, com ingressos gratuitos, distribuídos uma hora antes da apresentação.

 

Neste ano, o festival realiza mais de 100 atividades, entre apresentações de peças teatrais, palestras, workshops e debates em cerca de 40 locais diferentes na cidade. A maioria das atividades é gratuita.

 

Para saber mais sobre o festival, clique aqui.

Para saber sobre o espetáculo, clique aqui.  Para saber mais sobre o seu processo de criação, clique aqui.

 

Dia 08/09/2011. Quinta-feira, às 20h.

Teatro do Sesi São José dos Campos

Av. Cidade Jardim, 4389 – Bosque dos Eucaliptos

Informações: (12) 3936-2611


Sinopse: Acompanhado por uma “Menina”, um cego busca encontrar o que nenhum homem pôde jamais: Eldorado. Toda estória se resume nisto: era uma vez um homem que procura. Nos tempos e lugares da viagem, haja espaço para humanidades – travessia

 

Concepção, pesquisa e atuação: Eduardo Okamoto

Dramaturgia: Santiago Serrano

Direção Marcelo Lazzaratto

 

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25 Jul 2011

“Mujer que dice chau”, de Bruno Jorge

 

Fiquei longo período sem dar as caras (ou as palavras) por aqui. Tempos corridos, de muito trabalho: finalização de estudos com alunos da Escola Superior de Artes Célia Helena; temporada de “Eldorado”, em São Paulo; apresentações de “Chuva Pasmada” pelo interior paulista; apresentações em festivais de teatro, como o Ruínas Circulares, em Uberlândia; atuação no filme “Natureza Morta”, de Bruno Jorge; participação como selecionador e jurado do Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau; preparativos para a apresentações de “Agora e na Hora de Nossa Hora” no Edinburgh Festival Fringe, na Escócia.

 

Aqui, claro, não pretendo partilhar todos os eventos de tanto tempo – o que possivelmente resultaria enfadonho! Partilho, porém uma descoberta: o trabalho do jovem cineasta Bruno Jorge. Como ele tive a felicidade de conhecer a alegria do cinema! Abaixo, um filme-poema deste artista: poesia com as imagens.

 

Para saber mais: <http://brunojorge.com/>.

 

 

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23 Mai 2011

Espetáculo “Eldorado”em curtíssima temporada em São Paulo

 

 

De 04 a 25 de junho de 2011,  o solo “Eldorado” volta ao cartaz em 04 únicas apresentações, aos sábados, no SESC Ipiranga. As apresentações estão inseridas no projeto Teatro Mínimo.

 

O projeto pretende apresentar monólogos baseados essencialmente no trabalho de interpretação do ator, trazendo textos, consagrados ou autorais, que tenham como foco o trabalho de expressividade do intérprete.

 

ELDORADO

De 04/06 a 25/06. Sábados, às 19h30. Auditório.

 

Acompanhado por uma “Menina”, um cego busca encontrar Eldorado. Ele procura, no tempo e nos lugares da viagem, o espaço para a humanidades onde o viajante é atravessado enquanto cruza geografias. Nesse espaço, todo homem é único e igual a todos os demais. O espetáculo nasce da observação da realidade, da interação com construtores e tocadores de rabeca, instrumento de arco e cordas, parecido com o violino, presente em muitas manifestações da cultura popular do Brasil.

 

Concepção, pesquisa e atuação: Eduardo Okamoto.

Dramaturgia: Santiago Serrano.

Direção Marcelo Lazzaratto.

 

Não será permitida a entrada após o início do espetáculo.

Auditório. 40 lugares.

Acima de 14 anos.

R$ 12,00 (inteira); R$ 6,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 3,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).

 

SESC IPIRANGA

Rua Bom Pastor, 822 Fone: 3340 2000

 

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02 Mai 2011

Eduardo Okamoto no Festival Ruínas Circulares

 

Teve início neste sábado (30/04) a 3ª edição do festival, uma iniciativa conjunta da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

 

Desde o ano passado, além da apresentação de espetáculos, o evento se divide em dois, que acontecem simultaneamente, mesclando teoria e prática; o Seminário Nacional de Pesquisa em Teatro e as Noites Performáticas.

 

Para este ano, o Ruínas Circulares traz ainda mais inovações para enriquecer sua passagem: a instituição de um eixo temático e de um maior espaço dedicado à crítica – tanto em formatos experimentais quanto de forma mais especializada, com o objetivo de estimular/intensificar, tanto nos atores quanto no público, o debate, a reflexão e a avaliação crítica.

 

Na agenda deste ano, espetáculos do Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Espanha. Confira a programação completa (Espetáculos, Oficinas, Seminário e Noites Performáticas), bem como os procedimentos para inscrição nas oficinas, no site do Festival.

 

O ator Eduardo Okamoto participa da edição deste ano com o espetáculo “Eldorado” e a oficina “Dramaturgia do Corpo”. O espetáculo será apresentado  no dia 06 de maio, às 20h, no Teatro Rondon Pacheco. A oficina, cujas vagas já estão preenchidas, acontece nos dias 06 e 07 de maio, das 09 às 13h, no Bloco 03 da UFU, Campus Santa Mônica.

 

Para saber mais e conferir a programação completa, acesse o site do festival.

 

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07 Abr 2011

Invento-inventário: “Eldorado”



O espetáculo “Eldorado” foi criado a partir do estudo da rabeca: instrumento de arco e cordas, parecido com o violino, presente em muitas manifessações da cultura popular do Brasil.

 

Uma das características fundamentais da rabeca é a ausência de padrões na sua construção e execução. As rabecas variam no seu formato, número de cordas, afinação. A rabeca não é um instrumento fabricado em série. É produzido não por indústrias, mas por artistas-artesãos. Por isso, não há uma rabeca igual à outra, já que nem dois instrumentos construídos pelo mesmo artesão seguem padrões: um construtor não procura fazer um instrumento igual ao feito anteriormente. Disso resulta que cada rabeca possui suas características peculiares, “uma voz própria”. Cabe àquele que pretende tocá-la, reconhecer suas características, sua afinação, sua “personalidade”, sua “voz”, enfim. “A rabeca tem fala bonita”, ensinou Seu Agostinho Gomes, construtor do instrumento de Cananéia (SP). Cada uma tem a beleza de sua fala.

 

Essa ausência de padrões parece incorporar, como analogia, as origens do povo brasileiro que, como aponta Darcy Ribeiro, é “povo em fazimento”. Povo que não se caracteriza por reproduzir no além mar o mundo europeu. Tampouco um povo marcado, como são o México ou o altiplano andino, pela fusão de suas altas civilizações à cultura do homem branco colonizador. “Somos um povo em ser”. Para o antropólogo, o principal produto da colonização não seria outro senão a fundação desse novo povo-nação, diverso de todos os outros do planeta, fundado na mestiçagem: os brasileiros.

 

A fim de aprofundar meus conhecimentos sobre o instrumento, realizei, em 2007, uma viagem ao litoral sul de São Paulo, especialmente nas cidades de Iguape e Cananéia. Ali, percorri parte do circuito do Museu Vivo do Fandango que, não possuindo uma sede única, compreende um circuito de visitação pelas cidades de Iguape e Cananéia (em São Paulo), Guaraqueçaba, Paranaguá, e Morretes (no Paraná). Na viagem, coletei ações, histórias, causos e músicas de rabequeiros e construtores de rabeca.

 

Desse processo, acabou por se criar um personagem: um cego com sua rabeca. A partir desses materiais atorais, o dramaturgo argentino Santiago Serrano criou uma dramaturgia inédita.

 

O diretor convidado para conceber a encenação do espetáculo foi Marcelo Lazzaratto, Professor Doutor do Depto. de Artes Cênicas da UNICAMP e diretor da Companhia Elevador de Teatro Panorâmico.

 

A concepção de “Eldorado” apóia-se exclusivamente no trabalho de ator em relação ao espaço e à luz. O trabalho não apresenta cenário. Sobre o palco coberto por linóleo preto (caixa preta) a iluminação destaca uma presença humana. Assim como esse cego não vê os lugares por onde anda, igualmente o espectador não enxerga essas paisagens. Entretanto, se não se pode vê-las, é possível senti-las. Personagem e espectadores inventam realidades: ficção, lugares e conhecimento.

 

Poeticamente, a luz “ilumina” o cego em sua jornada pelo auto-conhecimento. Ele não a enxerga, mas a sente. Assim, a luz indica caminhos.

 

O cego conversa consigo mesmo e com a “Menina” que o acompanha. Se, pelo corpo, o cego intui mares, floressas, tesouros e amazonas, pela linguagem verbal nomeia esses elementos. O cego não lê palavras; elas é que lêem a realidade que ele pressente.

 

Nosso homem cego de “Eldorado” não dorme: sua vida é um constante despertar. Ele carrega uma sacola, onde está escondido o seu maior tesouro. Porém, ele nada sabe disso ou finge que não sabe. Será preciso que também ela “ilumine” seu caminho.

 

Eldorado é um espetáculo em que não percebemos os limites entre espaço interior e espaço exterior. Entre som e luz. Entre materialidade e espírito. Nosso homem cego dilata sua percepção estimulando seus sentidos para poder, através do outro, ou seja, do tesouro que traz em sua sacola, se lançar ao fluxo ininterrupto da vida.

 

Essa pesquisa de montagem é analisada na minha tese de Doutoramento em Artes: “Eldorado: dramaturgia de ator na intracultura”.

 

 

 

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07 Abr 2011

Novos Vídeos de “Eldorado”



Em celebração à realização da Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, lançamos a nova galeria de vídeos de divulgação do espetáculo “Eldorado”. Reunimos, nessa galeria, clipe e entrevistas sobre a turnê do espetáculo pelo Vale do Ribeira, em São Paulo – região onde o ator, anos antes, havia realizado pequisas de campo que fundaram a criação do trabalho.


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05 Abr 2011

Invento-inventário: escrita do corpo


 

Em celebração à realização da Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, publico, a cada dia da sua realização, um texto sobre meus estudos da arte de ator. Se a Mostra Repertórios do Corpo, como evento-inventário, procura sintetizar os últimos 11 anos de meus estudos, nessas páginas de blog procuro também encontrar os sentidos teóricos dessa jornada: invento-inventário.

 

Os processos de criação dos espetáculos apresentados na Mostra, inserem-se em meus estudos sobre a chamada dramaturgia de ator, inclusive como atividades de Pós-graduação na UNICAMP (Mestrado e Doutorado em Artes).

 

A dramaturgia de ator é uma modalidade de criação teatral em que a narrativa do espetáculo tem seu fundamento na organização de um repertório físico e vocal previamente codificado pelo ator. Diferentemente do trabalho que se funda na estruturação de uma narrativa literária, a dramaturgia de ator se funda, antes de mais nada, na capacidade narrativa do corpo. O ator revela suas narrativas corporais, sua própria vivência, enfim, e a organiza poeticamente.

 

A elaboração desse conceito deriva de uma certa explosão do próprio conceito de dramaturgia, no século XX. Outrora restrita aos parâmetros da literatura – texto escrito – pouco a pouco a idéia de dramaturgia foi ampliada de maneira a compreender não somente o registro escrito da obra, mas também a sua realização cênica. A formulação de uma dramaturgia que se cria pelo corpo e no corpo do ator – e não pelo trabalho solitário de um autor teatral – passa pela noção de que há uma dramaturgia espaço-temporal tão precisa quanto aquela desenvolvida no campo exclusivo da literatura.

 

Aqui, o ator em ação é considerado alicerce criativo do espetáculo e a conscientização de um repertório físico e vocal é o primeiro trabalho a ser desenvolvido. Somente depois de fixados esses códigos corporais e vocais se dá início aos trabalhos de organização da dramaturgia. Uma dramaturgia que se inscreve no corpo.

 

Na contemporaneidade, o trabalho sobre essa dramaturgia do corpo é profundamente influenciado pelas pesquisas da Antropologia Teatral. Esse campo de estudo, fundado por Eugenio Barba, é uma investigação sócio-biológica do homem em estado de representação. A partir de uma análise histórica e em diferentes geografias, a Antropologia Teatral procura identificar aspectos do trabalho de ator que se repetem nas mais variadas tradições culturais. Esses princípios que não variam constituem espécies de “bons conselhos” para atores dos mais diversos teatros. A Antropologia Teatral, ao aprofundar o conhecimento técnico do uso do corpo em cena, influenciou amplamente o trabalho de artistas que alicerçam seu processo criativo justamente na capacidade expressiva do corpo.

 

Essa busca de princípios comuns a manifessações humanas não é exclusiva à Antropologia Teatral. A criação teatral contemporânea é profundamente marcada pela pesquisa de trocas culturais – interculturalidade. Isso é, a partir do confronto de diferentes culturas, artistas e teóricos esforçam-se no sentido de não redundar no apontamento das evidentes diferenças dessas manifessações, mas na busca por seus elementos comuns. De certa maneira, o trabalho desses artistas procura, a partir do diálogo de diferenças, encontrar uma dimensão universal, invariável, da produção cultural.

 

Diferentemente dessa análise transcultural (que ultrapassa especificidades regionais), meus trabalhos partem de uma pesquisa intracultural. Em vez da investigação de princípios gerais sobre a atuação, propõe-se, aqui, a pesquisa de circunstâncias locais: a investigação aprofundada da própria cultura em que se vive. Ou seja, parte-se não do estudo da dimensão universal da cultura, mas das circunstâncias pelas quais uma comunidade realiza o humano. A partir da observação e imitação de pessoas do cotidiano, busca-se codificar materiais físicos e vocais, assim como princípios que norteiem a organização dramatúrgica desses materiais: uma dramaturgia de ator na intracultura.

 

Isso evidentemente não significa que não me interessa o diálogo com aquilo que é comum aos homens. Ao contrário, buscamos em nossos espetáculos uma comunicação cada vez mais ampla. Porém, nosso ponto de partida é a vivência plena de singularidades – não a experiência modelar.

 

Os espetáculos apresentados na Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, foram criados em diálogo com essas idéias. Interagindo com meninos de rua, construtores de rabeca e rabequeiros, moradores de cidades do interior do Rio Grande do Sul ou da comunidade de Barão Geraldo, procurou-se referências para a ampliação do repertório atoral. Nos textos que seguirão a essa postagem, escreverei sobre como isso se deu em cada um dos espetáculos: “Uma Estória Abensonhada” (2008), “Eldorado” (2008), “Chuva Pasmada” (2010), “Agora e na Hora de Nossa Hora” (2004).

 



 

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25 Mar 2011

Mostra Repertórios do Corpo no SESC Campinas

Depois de passar por Ribeirão Preto, a mostra “Repertórios do Corpo” chega ao SESC Campinas,   reunindo espetáculos e oficina do ator Eduardo Okamoto.

 

A mostra sintetiza resultados de seus estudos sobre a chamada dramaturgia de ator – modalidade de criação teatral fundada na organização de repertórios físico-vocais do atuante. Deste estudo foram desenvolvidos diversos espetáculos com a sua participação, como os solos “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado” (indicado ao Prêmio Shell 2009 como Melhor Ator), e as parcerias “Chuva Pasmada” (com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro) e “Uma Estória Abensonhada” (em que dirige o Grupo Teatro Camaleão).

 

Em 2010, ano em que Eduardo Okamoto completou uma década de pesquisas continuadas sobre esse tema de trabalho, um evento-inventário denominado “10 Anos por uma Escrita do Corpo”, análogo a este “Repertórios do Corpo”, foi realizado nas cinco regiões do Brasil, passando por Natal, Belém, Goiânia, Belo Horizonte e Porto Alegre.

 

Confira a programação abaixo:


SERVIÇO MOSTRA “REPERTÓRIOS DO CORPO”

Local: SESC Campinas

Data: de o6 a 09/04.

Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00

Informações: 16 3977-4477

www.sescsp.org.br

 

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