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19 Set 2012

Apresentação de “Chuva Pasmada” no Lume Teatro Tem Gosto de Volta para Casa

 

Chuva Pasmadacom Eduardo Okamoto e Alice PossaniTexto original: Mia CoutoDramaturgia: Cássio PiresDireção e Iluminação: Marcelo LazzarattoFigurinos e Cenografia: Warner ReisTrilha Sonora: Michael GalassoArte Gráfica: Alexandre CaetanoFotografia: Fernando StankunsProdução: Daniele Sampaio e Grupo Matula Teatro

 

“Chuva Pasmada”, parceria entre mim e Alice Possani, atriz do Grupo Matula Teatro, é dirigido por Marcello Lazzarato, professor do Depto. de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Nós dois nos formamos neste departamento, onde também desenvolvemos trabalhos de pós-graduação, e ainda hoje residimos em Barão Geraldo – distrito onde se localiza a UNICAMP. Por fim, ainda passamos longos períodos de treinamentos e estudos da atuação com o LUME – Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da UNICAMP. Por tudo isso, apresentar na sede do Lume Teatro tem gosto especial: o aconchego do retorno às origens.

 

Espantosamente, a despeito da grande quantidade de importantes trabalhos cênicos criados na cidade de Campinas, com frequência os seus cidadãos têm pouco acesso à esta produção. Isso, claro, é fundamentalmente explicado pelo grande e descabido descaso dos gestores públicos da vida cultural da cidade que, nos últimos anos, nem mesmo tiveram competência para manter abertos os seus teatros públicos. Atualmente, Campinas, cidade que tem mais de 1 milhão de habitantes, não possui uma única sala pública em condições de receber adequadamente um espetáculo teatral. Este contexto, no limite, obriga artistas de Campinas a procurar espaços e melhores condições de apresentação em outra paragens. Não raro, importantes artistas e coletivos de artistas formados e radicados na cidade optam por viver em outra localidade mesmo.

 

O resultado de tamanho absurdo é que o cidadão campineiro não pode fruir os bens simbólicos produzidos no próprio local onde vive. O cidadão, enfim, não vê representado como ficção (como realidade extraordinária) a sua própria vida cotidiana (a realidade ordinária). Muitos estudioso (entre eles a importante Profa. Dra. Suzi Frankl Sperber, também da UNICAMP) apontam que é o ato mesmo de produzir ficção que atribui sentido ao vivido. Ou, como nos diz o personagem de “Mar Me Quer”, de Mia Couto, “homem que não sabe contar história nem chega a ser pessoa”. A vida permanece, assim, em suspensão, como aquela água suspensa que, em “Chuva Pasmada”, também do escritor moçambicano, não se realiza em sua potência de chuva, permanecendo promessa.

 

Por tudo isso, a apresentação de “Chuva Pasmada” em Campinas é celebração! É um espetáculo voltando para casa. São os seus criadores apresentado no solo que escolheram como morada. É a partilha de uma obra com espectadores que compreendem o contexto em que ela foi gerada. Que essa chuva abra ainda mais movimento. Que, ao final da peça, possamos fazer como os seus personagens: agradecer!

 

Serviço: “Chuva Pasmada” no Lume Teatr0
Com Eduardo Okamoto e Matula Teatro
Dias 19 e 20/09 às 20h
Endereço: Rua Carlos Diniz Leitão, 150 Vila Santa Isabel – Barão Geraldo
Telefone:19 3289 9869
R$ 10,00 e R$ 5,00

 

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27 Ago 2012

Travessias Poéticas em São Paulo e Campinas

 

“Chuva Pasmada”, parceria de Eduardo Okamoto e Grupo Matula Teatro, compõe mostra que reúne espetáculos de Bahia, São Paulo, Pernambuco.  

 

Chuva Pasmadacom Eduardo Okamoto e Alice PossaniTexto original: Mia CoutoDramaturgia: Cássio PiresDireção e Iluminação: Marcelo LazzarattoFigurinos e Cenografia: Warner ReisTrilha Sonora: Michael GalassoArte Gráfica: Alexandre CaetanoFotografia: Fernando StankunsProdução: Daniele Sampaio e Grupo Matula Teatro

 

Desde a década de 1990, o chamado teatro de grupo impulsionou sobremaneira o teatro brasileiro. As primeiras décadas dos anos 2000, assinalam um novo impulso para  esta cena fundada em parcerias: a reunião de grupos de artistas com trabalhos afins em projetos conjuntos – coletivos de coletivos! Assim é Travessias Poéticas, mostra de espetáculos teatrais de distintos criadores, residentes em três diferentes estados brasileiros: “Chuva Pasmada”, de Eduardo Okamoto e Grupo Matula Teatro, de Campinas (São Paulo); “Gaiola de Moscas”, do Grupo Peleja, de Recife (Pernambuco); e “Mar Me Quer”, d’A Outra Companhia de Teatro, de Salvador (Bahia).

 

Em comum, estas obras apresentam – além de grande investimento em pesquisas poéticas, em que pese a noção do processo criativo como aprendizado técnico e ético da artesania cênica – a inspiração na literatura do moçambicano Mia Couto. Assim, os espetáculos que constituem a mostra tem na literatura (em conto, novela ou romance) o seu impulso de criação – ou, para acompanhar Mia Couto, o teatro tem “caroço” nas palavras de um Moçambique reinventado pelos livros.         

 

A mostra Travessias Poéticas, passará por seis cidades brasileiras: São Paulo e Campinas (em São Paulo), Salvador e Alagoinhas (na Bahia), Recife e Arco Verde (em Pernambuco). A estreia será no SESC Santo Amaro, em São Paulo, entre os dias 11 e 15 de setembro. Na semana seguinte, esta “trupe de trupes de artistas” desembarca em Campinas para, na sede do Lume Teatro, realizar apresentações de suas obras entre os dias 17 e 22.    

 

Além dos espetáculos, em cada uma das cidades haverá atividades formativas compondo a programação: oficinas de iniciação teatral (com duração de oito horas) voltadas para estudantes de escolas públicas; palestras acerca das relações entre a literatura e a criação cênica; intercâmbios em que os artistas participantes trocam procedimentos e experiências de trabalho.

 

Para saber a programação completa em cada cidade, acesse o site do projeto: <http://travessiaspoeticas.wordpress.com/>.

 

Serviço:
Travessias Poéticas em São Paulo
De 11 a 15 de setembro de 2012
SESC Santo Amaro
Endereço: Rua Amador Bueno, 505 – Santo Amaro
Telefone: 11 5541 4000
Entrada: R$ 3,00 a R$ 12,00 

 

Travessias Poéticas em Campinas 
De 17 a 22 de setembro de 2012
Lume Teatro
Rua Carlos Diniz Leitão, 150 Vila Santa Isabel – Barão Geraldo
Telefone: 19 3289 9869
R$ 10,00 e R$ 5,00 

 

 

 

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14 Mai 2012

Eduardo Okamoto no Clube da Leitura, no SESC Carmo

 

Em 31 de maio, às 19h, Eduardo Okamoto participa do Clube da Leitura, do SESC Carmo, na capital Paulista. Neste mês, o clube debate o livro “Estórias Abensonhadas”, do escritor moçambicano Mia Couto, publicado pela Editora Penguin – Cia das Letras. 

 

O Clube da Leitura é uma série de encontros mensais em que os leitores se reúnem para conversar sobre livros sugeridos pelo SESC, em parceria com a Editora Penguin – Companhia das Letras. O Clube de Leitura é um espaço alternativo em que o público pode compartilhar suas experiências literárias, dúvidas e impressões de leitura.

 

O livro escolhido para debate no mês, “Estórias Abensonhadas”, já motivou a criação de um trabalho de Okamoto: “Uma Estória Abensonhada”, em que dirigiu o Grupo de Teatro Camaleão, de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O espetáculo foi livremente inspirado num dos contos do livro, “A Praça dos Deuses”. Ali, um rico comerciante gasta toda a sua fortuna para celebrar em 40 dias e em praça pública o matrimônio do seu único filho.  

 

 

Além desta experiência, a obra do moçambicano Mia Couto já referenciou a criação de outros dois trabalhos com a participação de Eduardo Okamoto: “Eldorado” e “Chuva Pasmada”. O primeiro, monólogo de Okamoto, tem dramaturgia inédita criada por Santiago Serrano, mas muitas imagens do conto “O Cego Estrelinho” (do mesmo “Estórias Abensonhadas”) estimularam proposições do ator. O outro, parceria com o Matula Teatro, é adaptação de Cássio Pires para a novela homônima de Mia Couto. Os dois trabalhos foram dirigidos por Marcelo Lazzaratto.            

 

 

“Estórias Abensonhadas” no Clube da Leitura
Mediação de Eduardo Okamoto 
SESC Carmo - Área de Convivência, às 19h
Inscrições de 14 a 24 de maio pelo e-mail: biblioteca@carmo.sescsp.org.br
30 vagas 

 

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25 Mai 2011

Espetáculo “Chuva Pasmada” o oficina em S. J. Rio Preto e Bauru



Na próxima semana, o espetáculo “Chuva Pasmada”, parceria com Matula Teatro, se apresenta em Bauru e São José do Rio Preto. Nesta última cidade, o ator Eduardo Okamoto ministra a oficina “Dramaturgia do Corpo” na unidade do SESC Rio Preto.


SESC BAURU

Espetáculo “Chuva Pasmada”

Data: 26/05/2011 às 21h

Informações: 14 3235-1750 / sescbauru


SESC RIO PRETO

Espetáculo “Chuva Pasmada”

Data: 28/05/2011 às 20h / sescriopreto


Oficina: “Dramaturgia do Corpo” – com Eduardo Okamoto

Datas: 28 e 29/05/2011

Horário: 10h – 13h

Informações: 17 3216-9300 / sescriopreto

 

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15 Abr 2011

“Chuva Pasmada” no SESC São José dos Campos


 

Parceria de Eduardo Okamoto e Alice Possani, do Matula Teatro, “Chuva Pasmada” chega ao SESC São José dos Campos.

 

A apresentação é parte da circulação que o espetáculo realiza pelo interior de São Paulo.  Em 2011, 0 trabalho já se apresentou nas cidades de Santos, Riberão Preto, Araraquara e Campinas.

 

Depois de São José dos Campos, o  espetáculo ainda segue para Piracicaba e Bauru.   Em breve, publicaremos aqui mais detalhes.

 

Para saber mais sobre o espetáculo, clique aqui.

 

Serviço:

“Chuva Pasmada” no SESC São José dos Campos

Dia: 20/04/2011

Hora: 21h

Endereço: Av. Ademar de Barros, 999. Jardim São Dimas

Ingressos: de R$ 2,00 a 8,00

Informações: 12  3904-2000


 

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08 Abr 2011

Novos Vídeos de “Chuva Pasmada”



Em celebração à realização da Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, lançamos a nova galeria de vídeos de divulgação do espetáculo “Chuva Pasmada” – trabalho em parceria com Alice Possani, do Grupo Matula Teatro . Reunimos, nessa galeria, clipe e entrevistas sobre o processo de criação do espetáculo.


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08 Abr 2011

Invento-inventário: “Chuva Pasmada”



 

“Chuva Pasmada” é fruto de parceria com Alice Possani, do Grupo Matula Teatro, de Campinas. Sendo um dos fundadores desse grupo teatral, desde 2005, desenvolvo meu trabalho como ator independente.

 

Além de Alice, participa do espetáculo outro parceiro de constante: Marcelo Lazzaratto – diretor desse espetáculo e também de “Eldorado”, além de iluminador de “Agora e na Hora de Nossa Hora”.

 

O espetáculo revela, assim, uma das estratégias que tem tornado possível o meu trabalho como artista: o estabelecimento de parcerias que, como o meu próprio processo de estudo e formação como ator, se estendem para além da criação de um espetáculo. Essas parcerias que se repetem (como se pode ver nas minhas interações com o Lume Teatro, a produtora Daniele Sampaio e com a diretora Verônica Fabrini)  constituem uma espécie de rede de criação. Assim, se não chegamos a constituir exatamente um grupo de teatro nos moldes como se reconhecem os coletivos contemporâneos, partilhamos seguidamente diversas criações – ainda que as funções que cada um assuma num trabalho sejam diversas em outro. Verônica, por exemplo, é diretora de “Agora e na Hora de Nossa Hora”  e em “Eldorado” é figurinista.

 

Nessa possibilidade de criação que aos poucos vamos descobrindo,  os interesses de cada um ao redor de um trabalho são sempre móveis, assim como as soluções que encontramos para viabilizar a criação. Tudo o que está, num repente, já não é. Aqui, a criação é, em certo sentido, precária e, por isso mesmo, fecunda. Por um lado, quando reunimos uma equipe, não sabemos ser possível reuni-la novamente. Aí, o aspecto movediço e arriscado da empreitada: sustentar um projeto de estudo de longo prazo em parcerias flexíveis. De outro lado, conscientes dessa mesma liberdade, tornamo-nos abertos às diferentes perspectivas sobre os problemas da criação. Aí, o exercício pleno da alteridade: a aceitação de que diversos mundos podem co-existir.  Uma criação mais afeita aos sentidos da colaboração que ao pertencimento a um coletivo; mais inclinada a coerências provisórios que se instalam na composição da obra que a de identidade.

 

Assim, tudo o que escrevo sobre “Chuva Pasmada” é tão somente meu próprio ponto de vista sobre o espetáculo. Já vi Marcelo Lazzaratto e Alice Possani se expressarem de maneiras muito diversas dessa que faço. Todas elas possíveis!

 

Para mim, certamente diferente do que é para Marcelo, por exemplo, o espetáculo dá prosseguimento aos estudos sobre a dramaturgia de ator. Se em trabalhos anteriores, a criação fiou-se na apreensão e organização de materiais coletados pelo ator em observações de realidades cotidianas (pessoas, animais, imagens), aqui, igualmente isso fundamentou uma parcela do trabalho. Mas não tudo. Diferentemente dos espetáculos anteriores, aqui, a obra “Chuva Pasmada” (que também nomeia o espetáculo), escrita pelo moçambicano Mia Couto, foi ponto de partida. A própria adaptação de Cássio Pires antecede o trabalho dos atores em sala de ensaio. “Chuva Pasmada” é o único dos 04 espetáculos apresentados na Mostra Repertórios do Corpo que foi escrita antes dos ensaios se iniciarem.

 

Para nos aproximarmos de uma novo material criativo – o texto – sem abrir mão de procedimentos que fundaram outros trabalhos, procuramos, como estratégia, “observar” a obra literária. Isso se deu de duas maneiras: lemos com atenção a obra, procurando reconhecer, além da sua narrativa e seus acontecimentos, as pistas de corporeidades ali indicadas (um avô tão magro que poderia ser levado pelo vento, por exemplo; ou um menino tão pasmado quanto a chuva; um pai que, depois de retornar de muitos anos de trabalho nas minas, permaneceu ausente, não sendo o mais velho, mas o mais envelhecido de todos). Além disso, procuramos em imagens e pessoas ecos daquilo que líamos no texto – magreza, pasmaceira,  trabalho. Como que recebendo sugestões literárias e da realidade ordinária, os atores improvisavam procurando reagir corporalmente a esses referenciais.  Isso, como podem adivinhar aqueles que acompanham meus estudos, aprofundou minhas investigações sobre a observação e imitação – mimese corpórea.

 

Depois, esses materiais todos, em confronto com a fábula mesmo (o desenvolvimento da narrativa) foram transformados, adaptados. O que se vê em cena, assim, é resultado também de muitas interações.

 

“Chuva Pasmada” estimula novos passos em meus trabalhos sobre a dramaturgia de ator: revendo a abordagem da mimese corporal; possibilitando novas maneiras de interação com a literatura; fundamentando novos diálogos com o texto teatral.  Todas essas questões aguardam a sua teorização a apontam para novos campos de estudo, como a criação de um próximo trabalho a partir de uma dramaturgia da tradição euro-ocidental.

 

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06 Abr 2011

Novos Vídeos de “Uma Estória Abensonhada”



Em celebração à realização da Mostra Repertórios do Corpo, no SESC Campinas, lançamos a nova galeria de vídeos de divulgação do espetáculo “Uma Estória Abensonhada”. Reunimos, nessa galeria, novo clipe e entrevistas sobre o seu processo de criação.


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06 Abr 2011

Invento-inventário: “Uma Estória Abensonhada”

 

 

O escritor Mia Couto celebrizou-se ao retratar em sua obra o período pós-guerra civil de Moçambique. O autor, no entanto, não se interessa pelo documentário das situações de conflito – a guerra e as suas histórias. Interessa a ele as situações de encantamento, os momentos em que, a despeito da barbárie e da violência, o humano ainda faz sobreviver o sonho: a magia que faz de cada homem uma pessoa. Mia Couto escreve, sobretudo, sobre estórias de guerra.

 

A obra desse escritor serviu de inspiração para a criação do espetáculo “Uma Estória Abensonhada”. O espetáculo é parte do trabalho de conclusão de curso dos atores Eduardo Colombo, Luciana Indaiá e Valéria Minussi, que se formaram em Interpretação Teatral pela Universidade Federal de Santa Maria, onde lecionei entre os anos de 2007 e 2009, e teve minha direção e orientação.

 

“Uma Estória Abensonhada” encena o conto “A Praça dos Deuses”, de Mia Couto. As origens desse processo criativo, no entanto, não se encontram na literatura, mas em apurada observação da realidade. No início do processo de criação, não se trabalhou sobre a obra literária, mas se procurou conhecer histórias anônimas. Interagindo com moradores das cidades de Santa Maria e região (interior do Rio Grande do Sul), os atores coletaram causos, músicas, ações, gestos, maneiras de falar, receitas de bolo e de felicidade. Nesses encontros, entreviram centelhas de vida, pequenos milagres possíveis. Assim, intuíram: os fatos da realidade ordinária poderiam estimular a criação da realidade teatral – extraordinária!

 

Os atores sintetizaram materiais físico/vocais observados em aproximadamente trinta pessoas, quatro animais, quinze fotografias e quinze pinturas. Esse repertório dos atores alicerçou toda a construção do espetáculo. Em cena não se deverá procurar uma adaptação da obra de Mia Couto, mas o nosso encontro com ele: um jogo entre as nossas histórias cotidianas e a estória contada por ele.

 

No conto “A Praça dos Deuses”, o rico comerciante Mohamed Pangi Pathel despende sua fortuna para fessejar, em praça pública, o matrimônio de seu único filho. Festa igual nunca mais se iria ver naquelas paragens. Nos trinta dias de duração dos festejos, a ilha inteira vinha e se servia às arrotadas abundancias. Em final surpreendente, o ismaelita segreda-nos uma desculpa, revelando os motivos de tão inesperada celebração.

 

Procurando potencializar essa revelação dos fatos cotidianos, que não se identifica com uma cultura específica, a encenação de “Uma Estória Abensonhada” não se restringe ao retrato de Moçambique pós-guerra. Aquela praça é o mundo inteiro. Nosso desejo é encontrar a humanidade toda nos encontros possíveis entre alguns homens.

 

 

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25 Mar 2011

Mostra Repertórios do Corpo no SESC Campinas

Depois de passar por Ribeirão Preto, a mostra “Repertórios do Corpo” chega ao SESC Campinas,   reunindo espetáculos e oficina do ator Eduardo Okamoto.

 

A mostra sintetiza resultados de seus estudos sobre a chamada dramaturgia de ator – modalidade de criação teatral fundada na organização de repertórios físico-vocais do atuante. Deste estudo foram desenvolvidos diversos espetáculos com a sua participação, como os solos “Agora e na Hora de Nossa Hora” e “Eldorado” (indicado ao Prêmio Shell 2009 como Melhor Ator), e as parcerias “Chuva Pasmada” (com a atriz Alice Possani, do Matula Teatro) e “Uma Estória Abensonhada” (em que dirige o Grupo Teatro Camaleão).

 

Em 2010, ano em que Eduardo Okamoto completou uma década de pesquisas continuadas sobre esse tema de trabalho, um evento-inventário denominado “10 Anos por uma Escrita do Corpo”, análogo a este “Repertórios do Corpo”, foi realizado nas cinco regiões do Brasil, passando por Natal, Belém, Goiânia, Belo Horizonte e Porto Alegre.

 

Confira a programação abaixo:


SERVIÇO MOSTRA “REPERTÓRIOS DO CORPO”

Local: SESC Campinas

Data: de o6 a 09/04.

Ingressos: de R$ 3,00 a R$ 12,00

Informações: 16 3977-4477

www.sescsp.org.br

 

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